Vasco Coimbra

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O último dia do Mercado do Bolhão

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Não é um adeus. É um “até breve” ao Bolhão de sempre. Nos próximos 2 anos, o Mercado do Bolhão muda-se para o Centro Comercial La Vie mas as pessoas continuam as mesmas, garantindo toda a alegria e amizade a que nos foram habituando.

Não são todos os que seguem nesta viagem. Por vários motivos, há quem prefira encerrar definitivamente o seu espaço e há ainda quem faça uma pausa durante as obras mas que promete voltar quando reabrirem o Mercado. Quem segue, sente um misto de grandes emoções ao ter de se despedir do espaço que, para muita gente, foi seu desde criança.

“Isto mexe com a gente, não vou mentir. Sair daqui é quase como tirarem-nos o chão dos pés mas temos que nos adaptar”

A Bininha foi criada no Bolhão, na mesma loja que manteve até hoje. Na fotografia que me mostrou, onde também estão presentes o seu irmão e outras crianças dos comerciantes vizinhos, tinha 4 anos. Entretanto passaram-se 62.

“Isto mexe com a gente, não vou mentir. Sair daqui é quase como tirarem-nos o chão dos pés mas temos que nos adaptar”. Apesar de nos próximos dois anos o Mercado do Bolhão funcionar na cave do La Vie, assegura que só o espaço é que muda: “O Bolhão vai para onde nós formos. O novo sítio não tem nada a ver com o centro comercial, vai ser o Bolhão na mesma porque a gente vai lá estar”.  

Maria Luísa é da mesma opinião. É um mal necessário mas tem grandes esperanças. “O Bolhão agora é um grande ponto turístico, basta olhar à volta para ver isso. Eles chegam e perguntam o que é isto [tripas enfarinhadas] e a gente explica, dá a provar e diverte-se. Não compram muito mas não faz mal, os clientes continuam a vir aqui, muitos em família e atravessando muitas gerações. A gente diverte-se sempre, há espaço para todos”.

A degradação é mais do que visível. Há telhas a cair, pedaços de paredes em falta, rede eléctrica à vista e andaimes por toda a parte. Há quem ache que a intervenção poderia ter sido feita de forma faseada, se tivessem iniciado há 20 anos, quando os primeiros projectos de requalificação foram elaborados. “Em minha casa, quando tenho um problema, resolvo-o, não deixo tudo para a última, não é freguês?” diz Maria Olinda Remísio. “Custa muito sair daqui, preferia que se fizesse por partes mas temos de confiar nos especialistas que nos garantem que esta é a forma mais segura e rápida”.

“Vir aqui era uma alegria, via-se amizade, via-se tudo. Espero que este novo Bolhão, que é a flor da nossa grande cidade do Porto, venha a ser o mesmo Bolhão de sempre”

No último dia em que esteve de portas abertas, foram muitos os portuenses que por ali passaram para se despedir. Manuel do Laço, uma das figuras mais emblemáticas da cidade, foi uma dessas pessoas: “Tive que me vir despedir. Vir aqui era uma alegria, via-se amizade, via-se tudo. Espero que este novo Bolhão, que é a flor da nossa grande cidade do Porto, venha a ser o mesmo Bolhão de sempre e que daqui a 2 anos encontre aqui as mesmas figuras que tanto alegram este espaço com esta saúde, vida e amizade que não se encontra em mais lado nenhum”.

O Bolhão fechou as suas grandes portas de ferro às 13h do dia 28 de abril de 2018, com o toque simbólico do sino do Mercado pelas mãos do Presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira. Antes, passou pelos corredores e falou com muitos comerciantes que, na generalidade, se mostraram optimistas quanto ao futuro. Houve algumas lágrimas mas também muitos sorrisos. Dia 2 de maio o mercado reabre num espaço novo mas com a alegria de sempre.

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